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	<title>Escrita livre</title>
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	<description>Blog sobre envelhecimento</description>
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	<title>Escrita livre</title>
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	<item>
		<title>Para Gabriel</title>
		<link>https://sobreenvelhecer.com.br/sobrinho-neto-e-afilhado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Juchem]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Jan 2026 21:16:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escrita livre]]></category>
		<category><![CDATA[lembranças]]></category>
		<category><![CDATA[sobrinho_neto]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>
		<category><![CDATA[tia avó]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meu sobrinho-neto e afilhado. Menino Gabriel, nasceu num repente. Deu susto em toda gente. Tinha data marcada, toda a vida organizada, mas nada! Resolveu romper a bolsa, abrir caminho por sua conta Foi uma correria, chama a médica!, toma a rota para o hospital! Eu até fiquei tonta! A família foi avisada que o guri [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-small-font-size">Meu sobrinho-neto e afilhado.</p>



<p></p>



<p>Menino Gabriel, nasceu num repente. Deu susto em toda gente.</p>



<p>Tinha data marcada, toda a vida organizada, mas nada!</p>



<p>Resolveu romper a bolsa, abrir caminho por sua conta</p>



<p>Foi uma correria, chama a médica!, toma a rota para o hospital!</p>



<p>Eu até fiquei tonta!</p>



<p></p>



<p>A família foi avisada que o guri vinha com pressa</p>



<p>Alegria e reza, por toda parte</p>



<p>Pois que venha firme e forte</p>



<p>Saúde e corpo perfeitos</p>



<p>E assim que foi feito.</p>



<p></p>



<p>Nasceu no 3 de julho de 2025</p>



<p>E já foi chamado Gabriel</p>



<p>Teve o nome escolhido há tempos!</p>



<p></p>



<p>Limpa, pesa, colinho e fotos</p>



<p>Em instantes, todos viram pelo Whats</p>



<p>Gabriel tirado da barriga da mãe</p>



<p>Logo indo para os braços do pai</p>



<p></p>



<p>Foi tanta felicidade que parecia verdade: o mundo parou!</p>



<p>E o som de “viva” estourava nos ares</p>



<p>Tão lindo, pequeno e frágil</p>



<p>Logo era um chorinho vibrando na casa</p>



<p>Chorinho que diz: “não entendo mais nada!”</p>



<p></p>



<p>Agora sente frio, a luz ardendo nos olhos</p>



<p>Olhos castanhos igual jabuticaba</p>



<p>Olhos de pai, queixinho de mãe</p>



<p></p>



<p>Uma nova energia veio contigo, Gabriel</p>



<p>Tua chegada fez nova família</p>



<p>Nasceram, um pai e uma mãe</p>



<p></p>



<p>Ah, tem tanta coisa para aprenderem juntos!</p>



<p>Todos os dias, uma nova descoberta</p>



<p>Acertos e erros, mas está tudo certo</p>



<p></p>



<p>É assim que família se torna família</p>



<p>Aprendendo junto, se dando as mãos</p>



<p>No meio de alguma confusão.</p>



<p></p>



<p>A vida nunca mais será a mesma</p>



<p>E vai ser um desafio gostoso</p>



<p>Criar e educar o pequeno menino</p>



<p>Que um dia será homem, será cidadão</p>



<p>Inteligente e carinhoso, curioso e respeitoso</p>



<p></p>



<p>E eu, que tive a boa sorte de ser tia-avó e ser tua madrinha</p>



<p>Só quero poder te ver crescendo e virando gente grande</p>



<p>Por que desde o primeiro dia que te tive nos meus braços,</p>



<p>Com apenas 4 dias, eu soube:</p>



<p>“Esse guri vai ser gente boa!”</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Espera</title>
		<link>https://sobreenvelhecer.com.br/a-espera/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Juchem]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 May 2025 19:32:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escrita livre]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecer]]></category>
		<category><![CDATA[esperança;]]></category>
		<category><![CDATA[esperar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Espera, esperar, esperando Quantas vezes a vida nos deixa em modo de espera? O ar parado num dia passado.&#160; O relógio cumprindo a volta lenta dos minutos. Ele não espera. Esperar que chegue, esperar que vá Esperar que passe, que volte Esperar que leve, que traga Esperar que negue, que confirme Esperar que sinta, que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>



<p>Espera, esperar, esperando</p>



<p>Quantas vezes a vida nos deixa em modo de espera?</p>



<p>O ar parado num dia passado.&nbsp;</p>



<p>O relógio cumprindo a volta lenta dos minutos. Ele não espera.</p>



<p>Esperar que chegue, esperar que vá</p>



<p>Esperar que passe, que volte</p>



<p>Esperar que leve, que traga</p>



<p>Esperar que negue, que confirme</p>



<p>Esperar que sinta, que deixe de doer</p>



<p>Esperar que aguente, ou que rebente</p>



<p>Esperar pelo bem, ele vem?</p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading">Es Pe Rar</h2>



<p>A Esperança anda ao lado da Espera, são amigas.</p>



<p>Mãos dadas, dentro da gente, coração espremido&nbsp;no peito angustiado.</p>



<p>À espera do melhor, da notícia boa, da virada na rua certa, aquela que nos leva de volta até a felicidade. E daí, valeu toda espera!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>É sinal que existe vida!</title>
		<link>https://sobreenvelhecer.com.br/e-sinal-que-existe-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Juchem]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2025 23:51:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escrita livre]]></category>
		<category><![CDATA[apego]]></category>
		<category><![CDATA[desapego]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecer]]></category>
		<category><![CDATA[maturidade]]></category>
		<category><![CDATA[memorias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lascou, quebrou, sujou… é sinal que existe vida!  Era apegada a coisas, ela sabia. Mas não desde sempre. Deu-se conta ainda menina, quando percebeu que sentia quase dor por certas coisas. O blusão tricotado pela mãe, o relógio presente do pai, a bicicleta de quadro verde herdada do irmão mais velho, o broche de resina [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Lascou, quebrou, sujou… é sinal que existe vida! <br></p>



<p>Era apegada a coisas, ela sabia. Mas não desde sempre. Deu-se conta ainda menina, quando percebeu que sentia quase dor por certas coisas. O blusão tricotado pela mãe, o relógio presente do pai, a bicicleta de quadro verde herdada do irmão mais velho, o broche de resina transparente com florzinhas secas dentro que foi da avó paterna. Era difícil perder algo, deixar de ter porque, para ela, coisas carregavam significado, tinham a energia dos afetos e da sua própria história.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Coisas contam nossa história.&nbsp;</h2>



<p>Coisas contam nossa história. Como o carro da família, um Dodge 52, verde com capota preta. Aquele veículo gigante era uma sala de casa e, ali, ela se divertiu &#8211; foi criança feliz. No banco traseiro, igual sofá de 6 lugares, brincava solta e livre com as duas irmãs. Voltadas para o vidro traseiro, de joelhos no enorme sofá ambulante, abanavam para quem vinha atrás &#8211; quando eram retribuídas com outro aceno, vibravam e riam! Se escondiam, mas que perigo poderia haver dentro daquela fortaleza? Nenhum, e assim seguiam fazendo graça.</p>



<p>Nesse Dodge, entre os dois bancos dianteiros, onde pai e mãe sentavam, ela cantava alto músicas inventadas de repente, um repertório que não saberia recuperar, mas que arrancava boas risadas da pequena plateia familiar. O tempo andou e o Dodge também: foi substituído por um veículo muito mais jovem, um Corcel 73.</p>



<p>Já adulta, dirigia seu próprio carro e sentia o desespero do primeiro risco na lataria. Era o fim do mundo! Calçados, bolsas, roupas, eram pequenos tesouros conquistados com o próprio trabalho. Ser pega pela chuva com sapatos novos era desolador, assim como todo tipo de acidentes que o cotidiano aplica e que vão arruinando com a aparência imaculada do que foi novo um dia.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Coisas sofrem com o uso e usar é viver</h2>



<p>Com o tempo, ela aprendeu que as coisas sofriam com o uso e que usar é viver. “É sinal de que há vida”, dizia para o marido. O prato lascou, a travessa quebrou. Heranças da mãe, cuidadas com a atenção de um perdigueiro, colocadas na rotina do dia a dia, expostas ao risco que o uso mais simples pode trazer. Assim foi, que ela tirou as lembranças de dentro dos armários e gavetas, tirou as lembranças de dentro de si. Louças, toalhas bordadas, panos, coisas de pai e mãe, renasceram e vieram para fora, para a vida.</p>



<p>Estava curada da dor do apego? Será que ela já não se importava mais com o que quer que acontecesse com a jarra que foi da avó, o banquinho de madeira feito pelo pai, o pano de prato com ponto cruz bordado pela mãe jovem? Não, não era cura. Era ajuste. O apego era amor contido nas coisas, era amor entranhado, lembranças que as coisas carregam, era apego às coisas que contavam a própria história, a história dela. Era bonito.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Coisas não são para sempre</h2>



<p>Na maturidade erguida com observação, experiências, leituras e conversas, ela aprendeu que coisas não são para sempre, elas se perdem, se estragam, desgastam. Elas têm vida igual gente. Se ficam guardadas, são esquecidas porque não são vistas e o que não vemos não existe. Se são usadas, são úteis ou enfeitam, e brilham com a energia da história delas, nos levam no caminho de volta ao passado bom.</p>



<p>Desde então, depois desse tempo que não tem como saber a data exatamente, ela passou a usar tudo, agora, hoje mesmo, sempre. Da roupa novinha que antes ficava no armário esperando o momento certo para usar até as coisas herdadas de pai e mãe e avó e tia. Foi quase uma dança de tudo isso ao redor, num ar que era de liberdade e de agora. Uma pressa.</p>



<p>O apego já não tinha peso e dor, não tinha medo junto, o medo de perder. Porque o apego com as coisas era conexão com o passado, o passado vivo novamente, ali, sobre o balcão da sala de estar ou no broche preso na lapela. Se antes ela sofria, agora sentia paz, e sabia que cada coisa tem seu tempo, uma missão talvez. Agora sabia deixar ir e vir e se entregar ao tempo que cada coisa tem.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">“O apego deve ser laço, não corrente!”&nbsp;</h2>



<p>Então, ela entendeu que aquilo que sentia antes era um apego que acorrentava ela e as coisas. E viu que isso não era bom, porque correntes que prendem só se for um navio que atraca no cais. Queria ser leve, deixar ir. E nessa busca ela entendeu que o apego bom é o apego livre, apego que é laço de delicadeza. É verdade, nem sempre ela estava pronta para desfazer o laço do apego, assim de bate-pronto, “pá pum”. Às vezes, precisava deixar o tempo avançar mais um pouco, precisava do tempo. “Ainda não estou pronta…”, mas sabia que a hora certa chegaria e, então, aceitaria o desenlace de&nbsp; liberdade &#8211; para ela e para a coisa.&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Sobre minha mãe, Circe.</title>
		<link>https://sobreenvelhecer.com.br/sobre-minha-mae-circe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Juchem]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Nov 2024 21:50:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escrita livre]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>
		<category><![CDATA[saudades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dois de julho de 1997.&#160; Neste dia, como sempre, saí de casa pro trabalho de manhã cedo. Fazia frio e vesti uma blusa canelada de gola alta, cor de café com leite. De frente para o espelho, no meu quarto, vi uma pequena fenda no ombro descosturada. “Putz, a blusa abriu aqui!” Minha mãe me [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dois de julho de 1997.&nbsp;</p>



<p>Neste dia, como sempre, saí de casa pro trabalho de manhã cedo. Fazia frio e vesti uma blusa canelada de gola alta, cor de café com leite. De frente para o espelho, no meu quarto, vi uma pequena fenda no ombro descosturada. “Putz, a blusa abriu aqui!” Minha mãe me observava, parada na porta &#8211; “Tira. Eu costuro, rapidinho”. E foi assim que essa blusa amarrou nosso último laço, últimas frases trocadas, carinho eternamente entrelaçado naqueles pontos da minha blusa.</p>



<p>Vesti a blusa, agora cerzida com precisão invisível, e saí.</p>



<p>O dia seguiu normalmente, almocei com colegas em algum restaurante e retornei ao trabalho. No fim do dia, nos reunimos em frente a um telão colocado na empresa para assistirmos ao jogo da decisão do Campeonato Gaúcho, Grêmio X Internacional. Essas confraternizações eram comuns naquela agência de propaganda onde trabalhei por mais de 10 anos.</p>



<p>Fim de jogo, o Inter foi campeão. Dei carona para dois colegas, coloquei o carro na garagem a algumas quadras de casa. Acho que eram 10 da noite. Uma caminhada tensa e alívio quando entro e fecho a porta do prédio.&nbsp;</p>



<p>Subo as escadas ouvindo um burburinho. Termino o lance que levava ao apartamento e vejo que a vizinha estava na nossa porta escancarada, luzes acesas. “O que houve?” &#8211; eu disse, preocupada.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Parece que a Circe passou mal…</p>



<p>Entrei em casa.</p>



<p>No final do corredor, meu pai ajoelhado ao lado dela, o corpo estendido no chão. Depois do impacto da cena, percebi que ele passava álcool nos pulsos dela. Que amor!!</p>



<p>&#8211; O que houve? perguntei assustada.</p>



<p>&#8211; Não sei minha filha, acho que a “mamãe” passou mal…</p>



<p>Ajoelhei ao lado dela, junto dele, fiz massagem no peito igual a gente vê nos filmes, e respiração boca a boca, mas logo vi o tom roxinho leve da pele… não era mais tempo de nada. O tempo da minha mãe se acabara ali.&nbsp;</p>



<p class="has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-f4390589e9cac85925a3da48573e1c4a">—&#8212;&#8212;&#8212;</p>



<p>2024.</p>



<p>É impossível percorrer a cidade sem que ela me visite. Ela aparece no ipê amarelo da avenida, nos jacarandás roxos que estão por toda a Porto Alegre, no sortimento de cores dos jardins, na conversa de passarinhos quando amanhece.&nbsp;</p>



<p>Impossível não sentir a presença dela quando me deixo boiar no balanço das ondas do mar, quando tricoto uma peça &#8211; em cada ponto, uma laçada de amor &#8211; ao cantarolar baixinho fazendo uma tarefa qualquer. Na receita do bolo de maçã e na casa arrumada, as janelas abertas e as cortinas dançando no vento. </p>



<p>Ela está em tudo isso porque ela era tudo isso. E nada disso passava sem que ela comentasse, chamando a nossa atenção. Apreciem! Era como se ela entrasse naquela visão e fosse invadida inteira por aquela presença. Eram inundações recorrentes nela.</p>



<p>Minha mãe tinha uma força de atração natural. Acho que era de tanta alegria e amor dentro dela. </p>



<p>Chorar de tanto rir era fácil. O riso escorregava dela. </p>



<p>Ela era uma mulher bonita, de olhos azuis claros metamórficos (mudavam de tom conforme a roupa). Gostava de estar com gente. Nossos aniversários eram uma festa! Ela preparava tudo com um prazer contagioso &#8211; a comida, a casa, as flores nos vasos. E era assim nos Natais e viradas de ano.</p>



<p>Ela era isso: música, cores, raios de sol desenhando a janela no tapete da sala, risos soltos voando no ar, uma árvore coberta de flores, majestosa, fincada nas nossas vidas.</p>



<p>A partida súbita e precoce da minha mãe fez um rasgo de um lado a outro, como arame farpado. Uma ausência imposta para as nossas vidas, sem a menor consideração.</p>



<p>Ela se foi, e demorou um tanto que nem sei pra eu aprender a olhar a vida sem ela, a raiz da minha própria vida.&nbsp;</p>



<p>Eu ainda estou aqui e acho que foi ela, e graças a ela, que eu soube como rearranjar as coisas que me fariam caminhar de novo. E, apesar disso tudo, até ser feliz na maior parte do tempo.</p>



<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>



<p>Circe, minha mãe<br>Risada solta<br>Olhos azuis de balinha “Jujubas”<br>Um lar inteirinho dentro de ti</p>



<p>Circe, minha mãe<br>Desdobrada em 5 pedaços &#8211; Miguel, João Pedro, Susana, Isabel e Beatriz<br>Que sorte eu ser um deles<br>Que sorte ter sido cuidada por ti, ensinada por ti.</p>



<p>Mãe, a tua luz iluminava a escuridão, de qualquer tamanho. Ainda hoje, lembrar de ti acende essa luz, e deixa tudo melhor e mais bonito. Eu te amo e a tua falta sempre dói um pouquinho. Mas lembrar de ti como agora, enquanto escrevo aqui abrindo portas e revirando gavetas dentro de mim, eu sinto e sei que a gente tá junta pra sempre, em todo tempo e lugar.</p>



<p><em>PS: aquela blusa que ela costurou pra mim eu tenho até hoje, jamais vou me desfazer. A cada novo inverno, sempre que eu visto ela, apesar de acender uma tristeza súbita em mim, como um trovão, eu sinto que ela me abraça e daí eu fico feliz de novo.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Razão para continuar</title>
		<link>https://sobreenvelhecer.com.br/razao-para-continuar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Juchem]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Sep 2024 19:36:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escrita livre]]></category>
		<category><![CDATA[60+]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecer]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Metamorfose foi o que viu<br />
De borboleta virou casulo<br />
Vida em inversão</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Despediu-se de quem já não era mais<br>Aquela imagem no espelho era outra ela<br>Demorou-se em detalhes<br>Curvas<br>Circunferências<br>Montinhos</p>



<p><br>Metamorfose foi o que viu<br>De borboleta virou casulo<br>Vida em inversão<br>Não era mais unicamente beleza e cor<br>Era a própria casa, segura<br>Envolvida na proteção da volta ao casulo<br>Retrocesso? Avanço em ré, rebobinando vida?<br>Agora era &#8220;desborboleta&#8221; </p>



<p>Despediu-se dela mesma<br>E partiu pra dentro de si<br>Mais segura do que nunca<br>Ela sabia &#8211; era hora de voltar pra dentro<br>Rever a casa<br>Reorganizar<br>Embora velha<br>Tudo era novo</p>



<p>Não havia tempo ou razão pra não continuar.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Férias de mim</title>
		<link>https://sobreenvelhecer.com.br/em-ferias-de-mim/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Juchem]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jan 2024 19:40:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escrita livre]]></category>
		<category><![CDATA[descansar]]></category>
		<category><![CDATA[férias]]></category>
		<category><![CDATA[rotina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tirei férias de mim. Há dias não escrevo. Nem uma linha. Só a lista do mercado. Ler, sim, estou lendo. Agora me dou conta de como esses dias na praia mudaram minhas rotinas de cidade. Além de suspender os treinos, a escrita diária era um compromisso comigo mesma. Mas nem trouxe meu caderno. Deixei ele [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tirei férias de mim. Há dias não escrevo. Nem uma linha. Só a lista do mercado. Ler, sim, estou lendo. Agora me dou conta de como esses dias na praia mudaram minhas rotinas de cidade.</p>



<p style="font-size:18px">Além de suspender os treinos, a escrita diária era um compromisso comigo mesma. Mas nem trouxe meu caderno. Deixei ele na cidade, na mesma prateleira de onde meu olhar bate e me impede de esquecer. </p>



<p style="font-size:18px">Estou na praia há 7 dias. O tempo está perfeito, céu azul e sol todos os dias. A água do mar ainda não se calibrou para o verão. Tão gelada que tem efeito anestésico. Mas, de resto, tudo é férias. Horários e compromissos substituídos por um “sem planos”, só relaxar e aproveitar a beira do mar. Ler na rede. Ler na beira da praia. Regar plantas. Comer. “Bicicletar” por aí. </p>



<p>Vi o relatório do meu smartphone &#8211; acesso as redes caiu mais de 40%. Beleza! As férias nos deixam mais contemplativos (e redes sociais são o avesso disso). Como se os sentidos passassem por um reset, retomassem o formato de fábrica.&nbsp;</p>



<p>Não tenho televisão no quarto, aqui na praia. Isso é outra coisa que qualifica mais o meu sono. Deito, ou jogo algumas partidas de paciência ou sudoku no tablet. Ou leio mais algumas páginas de um livro e durmo. Durmo pesado.&nbsp;</p>



<p>Amanhece. Acordo cedo. Saio da cama quando meu marido apronta nosso café da manhã. Ás vezes, ligo a tv nessa hora, a única em que atualizo as notícias daqui e do mundo. Pobre mundo imundo. Países em guerra por mais alguns pedaços de terra. E gente morrendo por todo lado.&nbsp;</p>



<p>Antes mesmo de viajar, já tinha dado um tempo nos noticiários. Israel tratorando Gaza e todos nela. Rússia e Ucrânia logo vão comemorar mais um aniversário com tiros e bombas um contra o outro. É muito triste. Me estraga ver e não ter como impedir, ajudar, por fim nisso tudo. Tudo movido por interesses, ganância, julgamentos. Tudo mostrando o pior da raça humana.</p>



<p>Eu instalaria uma nova ordem mundial para cargos políticos: é primordial submeter-se a um teste psicológico profundo antes de se candidatar a qualquer tipo de cargo administrativo na política. Certeza que ⅔ não conseguiria avançar. Me impressiona o tanto de pessoas incapazes psico-cultural-socialmente ocupando presidência disso e daquilo. É triste. Lastimável.</p>



<p>Mas voltemos às férias. Fazendo de conta que tudo está bem ao redor do planeta, que&nbsp; não estamos a beira de um colapso ambiental e social em todo o globo terrestre. Talvez seja necessário desligar os contatos com essa realidade angustiante e se deixar levar pelo vento. Como uma biruta que pula, sobe, desce, vai e volta nas lufadas imprevisíveis do vento.</p>



<p>Em férias de mim. Sair do corpo, desconectar o pensamento lógico, pragmático, realista. Fechar os olhos e ver apenas o que faz bem. Pular dentro de uma bolha de universo paralelo onde só tem paz, divertimento, felicidade, amor, música, sol e rio, ou mar. Fazer de conta, por alguns dias, que tudo está bem. Mas, sinto culpa dessa ignorância consciente.&nbsp;</p>



<p>Numa situação privilegiada como a minha &#8211; pessoa livre, próspera e saudável &#8211; diante do que vejo na rua, no noticiário, nas redes sociais, é de “bagunçar o psicológico” de qualquer um. Mesmo assim, eu agradeço. Sempre que saio pra rua, olho pra cima, vejo o céu aberto e eu sou livre, autônoma, forte &#8211; agradeço! Por poder ser, estar, ver e sentir.</p>



<p>Essas férias são bem aventurança. Me delicio com o simples estar na rua. Caminhando, pedalando, sentada na varanda, no vento. A rede balança. Minha gata dorme enroscada na cadeira ao meu lado. Tem muitos passarinhos. Um latido aqui e lá longe. Conversa de cachorros. Um carro passa de vez em quando. É silêncio. É paz.&nbsp;</p>



<p>Sentir paz é um exercício de atenção plena. A consciência de tudo que escrevi antes dessa linha, o contraponto do mal e do bem. Encontrar equilíbrio, apesar da balança imprevisível dos dias. Surpresas, sustos, felicidade, dor, injustiças. Tudo pipocando, impossível prever, impossível controlar. Ainda assim, sentir paz. Isso é possível?</p>



<p>Paro, respiro, concentro. Num instante, sinto ansiedade de novo. E sufoco. É difícil respirar, o ar não passa. Faço força. Paro, respiro, concentro. De volta ao corpo.&nbsp;</p>



<p>Estar em férias, longe de casa, das rotinas do ano inteiro, demora a gente despertar os sentidos puros, para a consciência do agora, do corpo. Concentrar só no que nos folga, relaxa, diverte, soma. Estou em férias da rotina.</p>



<p>Em alguns dias, volto à cidade, ao apartamento no 8o andar, onde passo a maior parte do meu tempo, o ano todo. Não é ruim. Só desafia mais o estado de presença. Por enquanto, sigo por aqui, onde o sol aquece a areia e o céu está limpo, nuvens ausentes. Descompromisso possível nesse espaço e tempo tão especiais.&nbsp;</p>



<p>Garopaba, SC. 28/12/23</p>
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