(agosto de 2024)
Envelhecemos, todos os que avançam no tempo
O tempo que encolhe e é ligeiro
Não, ninguém pensa nisso o dia todo
Nem todos os dias
O pensamento chega imprevisto, sem aviso
Um disparo, atropelo
Encarar a própria finitude
A última temporada do seriado da nossa vida
Atuar nos últimos capítulos
Sabendo que o final está cada dia mais perto
Quando eu não estiver mais aqui, o mundo sem mim
Onde estarei? Como será se descolar dessa vida que conhecemos?
Será que dói? É quente ou frio? Lembrar de levar um casaquinho.
Para onde irá minha energia, as lembranças, sentimentos, inteligência
Será um blackout, um absoluto nada?
Imagino um sequência galáctica onde eu vôo
Reencontros e felicidade
Zero dor
Meu marido, meu amor
Companheiro nessas décadas finais
Vai ficar ou já terá ido?
Daí, vai me receber quando minha vez chegar?
Família, amigos, minha gata Mel, minhas plantas, minhas coisas
Tudo ficará para trás
Uma certeza: em 40 anos eu não estarei mais aqui, é fato
Pensamentos em trânsito
Eles vêm e vão
Melhor não pensar nisso
Envelhecer é legal, não tenha medo
É igual quando se é jovem – tem partes boas e partes ruins
Mas na velhice, tudo é pesado na “balança das importâncias“
Porque se o tempo é curto
Bora aproveitar
Sem desperdícios em “contra vontades”
Porque quando chegar a minha hora
Quero sair bem leve e elegante
tendo deixado boas lembranças nos meus que ficam.

